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29 de julho de 2012

5° Prêmio Menino Caranguejo ! - Animação, História em Quadrinhos, Ilustração !


 O Prêmio:
O prêmio tem o objetivo de incentivar a produção nacional de animações, histórias em quadrinhos e ilustrações feitas por professores e estudantes de todo o Brasil. Fomentar a utilização da temática socioambiental como foco principal da produções, visando auxiliar professores e educadores em suas abordagens sobre Educação Ambiental com seus alunos, ao mesmo tempo que utilizam a animação e os quadrinhos como meio de entreter educando.
Através de suas categorias (Animação, História em Quadrinhos e Ilustração) premiar os trabalhos produzidos por professores e estudantes (dos níveis de  ensino infantil, fundamental, médio e superior) de todo o Brasil, que abordem o tema: Minha Escola, meu Meio Ambiente. Destacando:
- As três melhores animações;
- As três melhores histórias em quadrinhos;
- As três melhores ilustrações.

Como Participar?
Veja como é fácil! Faça seu cadastro na Rede Caranguejo, envie seu trabalho como um Post de acordo com a categoria:
Prêmio MC – AnimaçãoPrêmio MC História em Quadrinhos ou
Prêmio MC Ilustração.
Complete seu cadastro em sua área de usuário (Botão Meus Dados) no Caranguejo.org.br para validar a sua inscrição!
As instruções completas estão no Regulamento.
Os trabalhos que tiverem mais Likes, serão classificados na votação popular. Então não perca tempo, inscreva-se e comece já a divulgar para seus amigos e família!
Mãos à obra e boa sorte!
Dúvidas?
Acesse e leia o Regulamento com atenção, confira as instruções detalhadas em Como Inscrever e faça sua inscrição!
Se tiver dúvidas, entre em contato conosco:

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Salvem o Manguezal ! – tirinha – Menino Caranguejo

DIA DO MANGUEZAL – Tirinha Nº 1228 do dia 17 de Outubro de 2011
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Caranga do Manguezal – tirinha



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DIA NACIONAL DA SAÚDE - 05 DE AGOSTO - Doenças transmitidas pela água



Dia Nacional da Saúde - 5 DE AGOSTO

No dia 5 de Agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional da Saúde. Foi escolhida essa data em homenagem ao médico Oswaldo Cruz, que nasceu em 5 de agosto de 1872.

Oswaldo Cruz  ingressou na faculdade de medicina aos 15 anos, e quatros mais tarde, especializou-se em bacteriologia pelo Instituto Pasteur de Paris. Em 1903, foi nomeado Diretor-Geral de Saúde Pública, cargo equivalente a Ministro da Saúde. Durante o período que atuou na saúde pública, Oswaldo Cruz lutou contra a febre amarela, a peste bubônica e a varíola.

Sua gestão ficou conhecida por conta da Revolta da Vacina, ocorrida em 1904. A população manifestou-se contra a obrigatoriedade da vacina antivaríola, porém quatro anos depois devido à epidemia da doença, o povo foi em peso aos postos de saúde e reconheceu o valor do médico.

A data de seu aniversário, portanto, deve ser comemorada com atitudes saudáveis e conscientização política também, afinal, o governo é quem responde pela saúde pública e cuida de questões fundamentais para que a população viva em um ambiente adequado: com saneamento básico, coleta de lixo e manutenção de áreas verdes.

Doenças transmitidas pela água
A falta de água potável e de esgoto tratado facilita a transmissão de doenças que, calcula-se, provocam cerca de 30 mil mortes diariamente no mundo. A maioria delas acontece entre crianças, principalmente as de classes mais pobres, que morrem desidratadas, vítimas de diarréia causadas por micróbios. No Brasil, infelizmente mais de 3 milhões de famílias não recebem água tratada e um número de casas duas vezes e meia maior que esse não tem esgoto. Isso é muito grave.
Estima-se que o acesso à água limpa e ao esgoto reduziria em pelo menos um quinto a mortalidade infantil.
Para evitar doenças transmitidas pela água devemos tomar os seguintes cuidados:
  • Proteger açudes e poços utilizados para o abastecimento;
  • tratar a água eliminando micróbios e impurezas nocivas a saúde humana;
  • filtrar e ferver a água;
  • não lavar alimentos que serão consumidos crus com água não tratada como verduras, frutas e hortaliças.
As principais doenças transmitidas pela água: 

Doenças de veiculação hídrica

A água é um dos elementos fundamentais para a existência do homem. Grande parte das atividades humanas necessitam de água para se realizarem. Essa água, depois de utilizada para vários fins, é devolvida para o meio ambiente parcialmente ou totalmente poluída (carregada de substâncias tóxicas, materiais orgânicos ou microrganismos patogênicos), de tal forma a comprometer a qualidade dos recursos hídricos disponíveis na natureza aumentando o risco de doenças de origem e transmissão hídricas.

Doenças de transmissão hídrica são aquelas em que a água atua como veículo de agentes infecciosos. Os microrganismos patogênicos atingem a água através de excretas de pessoas ou animais infectados, causando problemas principalmente no aparelho intestinal do homem. Essas doenças podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus, protozoários e helmintos. 

Doenças de origem hídrica são aquelas causadas por determinadas substâncias químicas, orgânicas ou inorgânicas, presentes na água em concentrações inadequadas, em geral superiores às especificadas nos padrões para águas de consumo humano. Essas substâncias podem existir naturalmente no manancial ou resultarem da poluição. São exemplos de doenças de origem hídrica: o saturnismo provocado por excesso de chumbo na água - a metemoglobinemia em crianças - decorrente da ingestão de concentrações excessivas de nitrato, e outras doenças de efeito a curto e longo prazo.

A seguir, tem-se uma breve descrição dos sintomas, agentes etiológicos, modo de transmissão e período de incubação das principais doenças de veiculação hídrica:

Febre Tifóide:

Doença infecciosa, se caracteriza por febre contínua, mal-estar, manchas rosadas no tronco, tosse seca, prisão de ventre (mais freqüente do que diarréia) e comprometimento dos tecidos Linfóides. 
Agente Etiológico: Salmonella Typhi, bactéria gram negativa. 
Modo de Transmissão: doença de veiculação hídrica, cuja transmissão se dá através da ingestão de água e moluscos, assim como do leite e derivados, principais alimentos responsáveis pela sua transmissão. Outros alimentos, quando manipulados por portadores, podem veicular a S. typhi, inclusive sucos de frutas. 
Prazo de Incubação: Em média, 2 semanas.

Febre Paratifóide:
Infecção bacteriana que se caracteriza por febre contínua, eventual aparecimento de manchas róseas no tronco e comumente diarréia. Embora semelhante à Febre Tifóide, sua letalidade é muito mais baixa.
Shigeloses:
Infecção bacteriana aguda, principalmente no intestino grosso caracterizada por febre, náuseas e, às vezes, vômitos, cólicas e tenesmo (sensação dolorosa na bexiga ou na região anal). Nos casos graves as fezes contém sangue, muco e pus.
Sinonímia: Disenteria Bacilar
Agente Etiológico: bactérias gram negativas do gênero Shigella, constituído por quatro espécies S. dysenteriae (grupo A), S. flexnere (grupo B), S. boydii (grupo C) e S. sonnei (grupo D)
Modo de Transmissão: a infecção é adquirida pela ingestão de água contaminada ou de alimentos preparados por água contaminada. Também foi demonstrado que as Shigelas podem ser transmitidas por contato pessoal.
Período de Incubação: varia de 12 á 48 horas.

Cólera: 

Doença intestinal bacteriana aguda, caracteriza-se por diarréia aquosa abundante, vômitos ocasionais, rápida desidratação, acidose, câimbras musculares e colapso respiratório, podendo levar o paciente a morte num período de 4 à 48 horas (casos não tratados). 
Agente Etiológico: Vibrio cholerae. 
Modo de Transmissão: ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou vômitos de doentes ou portador. A contaminação pessoa a pessoa é menos importante na cadeia epidemiológica. 
Período de Incubação: de horas a 5 dias. Na maioria dos casos varia de 2 a 3 dias.

Hepatite A: 

Início geralmente súbito com febre, mal-estar geral, falta de apetite, náuseas, sintomas abdominais seguidos de icterícia. A convalescença em geral é prolongada e a gravidade aumenta com a idade, porém há recuperação total sem seqüelas. 
A distribuição do vírus da Hepatite A é mundial; porém em locais onde o saneamento é deficiente, a infecção é comum e ocorre em crianças de pouca idade. 
Agente Etiológico: Vírus da hepatite tipo A, hepatovirus RNA, família Picornavirideo. 
Modo de Transmissão: fecal-oral, água contaminada, alimentos contaminados. 
Período de Incubação: de 15 a 45 dias, média de 30 dias.

Amebíase:

Infecção causada por um protozoário parasita que se apresenta em duas formas: como cisto infeccioso, resistente e como trofozoíto, mais frágil e potencialmente invasor. O parasita pode atuar de forma comensal ou invadir os tecidos, originando infecções intestinais ou extra-intestinais. As enfermidades intestinais variam desde uma disenteria aguda e fulminante, com febre e calafrios e diarréia sanguinolenta ou mucóide (disenteria amebiana), até um mal-estar abdominal leve e diarréia com sangue e muco alternando com períodos de estremecimento ou remissão. 
Agente Etiológico: Entamoeba hystolytica. 
Modo de Transmissão
: ingestão de água ou alimentos contaminados por dejetos, contendo cistos amebianos. Ocorre mais raramente na transmissão sexual devido a contato oral-anal. 

Periodo de Incubação: entre 2 a 4 semanas, podendo variar dias, meses ou anos.

Giardíase:

Freqüentemente assintomática, pode também estar associada a uma diversidade de sintomas intestinais: diarréia crônica, esteatorréia, cólicas abdominais, eliminação de fezes esbranquiçadas gordurosas e fétidas, fadiga e perda de peso. Em casos de giardíase grave, podem ocorrer lesões e alterações inflamatórias das células de mucosa do duodeno e jejuno. 
Sinonímia: Enterite por giárdia. 
Agente Etiológico
: Giardia lamblia protozoário flagelado que existe sob as formas de cistos e trofozoito. A primeira é a forma infectante. 
Modo de Transmissão
: direta, pela contaminação das mãos e conseqüente ingestão de cistos existente em dejetos de pessoa infectada; ou indireta, através de ingestão de água ou alimento contaminado. 

Período de Incubação: de 1 a 4 semanas, com média de 7 a 10 dias.

Esquistossomose: 

A sintomatologia depende da localização do parasita. Os efeitos patológicos mais importantes são as complicações derivadas da infecção crônica: fibrose hepática e hipertensão portal. 
Agente Etiológico: Schistosoma mansoni, família Schistosomatidae. 
Modo de Transmissão: os ovos do S. mansoni são eliminados pelas fezes do hospedeiro infectado (homem). Na água, eclodem, liberando uma larva ciliada denominada miracídio, a qual infecta o caramujo. Após 4 ou 6 semanas, abandonam o caramujo, na forma de cercária, ficando livres nas águas naturais. O contato humano com as águas infectadas pelas cercárias é a maneira pela qual o indivíduo adquire a esquistossomose. 
Período de Incubação: em média, 2 a 6 semanas após a infecção.

Ascaridíase: 

O primeiro sinal da infestação freqüente é a presença de vermes vivos nas fezes ou ressurgidos. Sinais pulmonares inclui a síndrome de Coeffer, caracterizada por respiração irregular, espasmos de tosse, febre e pronunciada eosinofilia no sangue. A alta densidade de parasita pode causar distúrbios digestivos e nutricionais, dor abdominal, vômitos, inquietação e perturbação do sono. Complicações graves não raro fatais, incluem obstrução intestinal e migração de vermes adultos para o fígado, pâncreas, apêndice, cavidade peritoneal e trado respiratório superior. 
Sinonímia: Infecção por Ascaris.
Agente Etiológico: Ascaris lumbricoides, ou lombriga. 
Modo de Transmissão
: ingestão dos ovos infectantes do parasita, procedentes do solo, água ou alimentos contaminados com fezes humanas. 

Período de Incubação: de 4 a 8 dias, tempo necessário para completar o ciclo vital do parasita.

Fonte: http://balneabilidade.vilabol.uol.com.br/doencas.htm 


LEMBRE-SE TAMBÉM DA DENGUE:


Atualmente, a dengue é a arbovirose mais comum que atinge o homem, sendo responsável por cerca de 100 milhões de casos/ano em população de risco de 2,5 a 3 bilhões de seres humanos.[5] A febre hemorrágica da dengue (FHD) e síndrome de choque da dengue (SCD) atingem pelo menos 500 mil pessoas/ano, apresentando taxa de mortalidade de até 10% para pacientes hospitalizados e 30% para pacientes não tratados.


A transmissão se faz pela picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti ou Aedes albopictus, pois o macho se alimenta apenas de seiva de plantas. No Brasil, ocorre na maioria das vezes por Aedes aegypti. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus, depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca.

Controle do mosquito

O controle é feito basicamente através do combate ao mosquito vetor, principalmente na fase larvar do inseto. Deve-se evitar o acúmulo de água em possíveis locais de desova dos mosquitos.  (Fonte Wikipédia)

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28 de julho de 2012

DIA DO AGRICULTOR - 28.07 – Marina Brasil



Camponês, lavrador, tantas denominações lhes são dadas.
Hoje me dei conta de que há profissões para cada elemento : água, terra, fogo, ar e éter.
A terra é sempre mencionada e usada nas parábolas ou fatos bíblicos, Caim e Abel 
e o lembrete: “Tu és pó e ao pó retornarás”.
Agricultura é uma arte, a de cultivar a terra.
No dia 26 desse mês-julho-houve uma comoção, merecida, a homenagem às avós.
E hoje? Nada? Hoje é Dia do Agricultor! 
Embora pagando por nossos alimentos, precisamos deles!
Quero ver, dinheiro no bolso e ninguém plantando....
“Quem não sabe agradecer, não merece pedir, tampouco receber”.
Cultuar a Terra  como Mãe é tão antigo quanto os atos de semear, plantar e colher.
Entregar as sementes à terra para germinar, crescer e frutificar era um ato sagrado.
A personificação da Terra como Deusa é universal; o Pai é o céu que envia seu sêmen em 
forma de chuva...
Uma vez Mãe, é Doadora, Provedora de alimentos mas também Destruidora encarregada 
da dissolução dos resíduos vegetais, animais e humanos.
Na dimensão sagrada abriga as divindades ctônicas; em seu ventre a união vida/morte.
Antes da Humanidade, teve filhas que simbolizam os alimentos básicos, milho, feijão e abóbora.
Havia festas na época das colheitas, rituais de agradecimento, o pão  era considerado sagrado, 
não podia ser desperdiçado ou jogado fora.
Antes de cortá-lo era abençoado e agradeciam à terra o “pão nosso de cada dia”.



















A Mãe Terra
era nossos alimentos, que são
egados, cuidados pelos ‘anjos da terra”
sso precisa permanecer em nossos
orações, Agradecer ao menos                  
ma vez aos
avradores da
erra.
remos por eles sempre, e
esgatemos a sacrilidade da Mãe Terra!
Senhor! Que o pão nosso de cada dia , seja ganho com o suor
do nosso rosto  e não com o suor do outro, e que o outro que
semeia, planta, e cuida do nosso alimento, seja abençoado, sempre!
Amém!

 http://inamar-wwwforcasutis.blogspot.com/2012/07/dia-do-agricultor.html#ixzz21xkMMKOj

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27 de julho de 2012

Imobilidade Urbana – Charge



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O que pode levar a uma cidade sustentável? – Washington Novaes


O que pode levar a uma cidade sustentável?

27 de julho de 2012 | 3h 09

                                                                   Washington Novaes

Pois não é que, enquanto o eleitor se pergunta, aflito, em quem votar para resolver os dramáticos problemas das nossas insustentáveis grandes cidades, um pequeno país de 450 mil habitantes - a África Equatorial - anuncia (Estado, 10/6) que até 2025 terá construído uma nova capital "inteiramente sustentável" de 40 mil casas para 140 mil habitantes, toda ela só com "energias renováveis", principalmente a fotovoltaica? Mas como afastar as dúvidas do eleitor brasileiro que pergunta por que se vai eliminar uma "florestal equatorial" - tão útil nestes tempos de problemas climáticos - e substituí-la por áreas urbanas?
Bem ou mal, o tema das "cidades sustentáveis" entra na nossa pauta. Com Pernambuco, por exemplo, planejando todo um bairro exemplar em matéria de água, esgotos, lixo, energia, telecomunicações, em torno do estádio onde haverá jogos da Copa de 2014, inspirado em Yokohama (Valor, 24/6), conhecida como "a primeira cidade inteligente do Japão". E até já se noticia (12/7) que o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking de "construções sustentáveis" no mundo, depois de Estados Unidos, China e Emirados Árabes - já temos 52 certificadas e 474 "em busca do selo", por gastarem 30% menos de energia, 50% menos de água (com reutilização), reduzirem e reciclarem resíduos, além de só utilizarem madeira certificada e empregarem aquecedores solares.
"As cidades também morrem", afirma o professor da USP João Sette Whitaker Ferreira (Eco 21, junho de 2012), ressaltando que, enquanto há 50 anos se alardeava que "São Paulo não pode parar", hoje se afirma que a cidade "não pode morrer" - mas tudo se faz para a "morte anunciada", ao mesmo tempo que o modelo se reproduz pelo País todo. Abrem-se na capital paulista mais pistas para 800 novos automóveis por dia, quem depende de coletivos gasta quatro horas diárias nos deslocamentos, os bairros desfiguram-se, shoppings e condomínios fechados avançam nos poucos espaços ainda disponíveis, 4 milhões de pessoas moram em favelas na região metropolitana.
Não é um problema só brasileiro. Em 1800, 3% da população mundial vivia em cidades, hoje estamos perto de 500 cidades com mais de 1 milhão de pessoas cada uma, quase 1 bilhão vive em favelas. Aqui, com perto de 85% da população em áreas urbanas, 50,5 milhões, segundo o IBGE, vivem em moradias sem árvores no entorno (26/5), seis em dez residências estão em quarteirões sem bueiros, esgotos correm na porta das casas de 18,6 milhões de pessoas. Quase metade do solo da cidade de São Paulo está impermeabilizada, as variações de temperatura entre uma região e outra da cidade podem ser superiores a 10 graus (26/3).
Estamos muito atrasados. Na Europa, 186 cidades proibiram o trânsito ou criaram áreas de restrição a veículos com alto teor de emissão (26/2), com destaque para a Alemanha. Ali, em um ano o nível de poluição do ar baixou 12%. Londres, Estocolmo, Roma, Amsterdam seguem no mesmo rumo, criando limite de 50 microgramas de material particulado por metro cúbico de ar, obedecendo à proposta da Organização Mundial de Saúde. No Brasil o limite é três vezes maior.
E há novos problemas claros ou no horizonte, contra os quais já tomaram posição cidades como Pyongyang, que não permite a ocupação de espaços públicos urbanos por cartazes, grafites, propaganda na fachada de lojas, anúncios em néon (New Scientist, 19/5). É uma nova e imensa ameaça nos grandes centros urbanos, atopetados por informações gráficas e digitais projetadas. Quem as deterá? Com que armas, se as maiores fabricantes de equipamentos digitais lançam a cada dia novos geradores de "realidade ampliada", a partir de fotos, vídeos e teatralizações projetados? O próprio interior das casas começa a ser tomado por telas gigantescas.

Um bom ponto de partida para discussões sobre as áreas urbanas e seus problemas pode ser o recém-editado livro Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes" (Brookman, 2012), em que o professor Carlos Leite (USP, Universidade Presbiteriana Mackenzie) e a professora Juliana Marques Awad argumentam que "a cidade sustentável é possível", pode ser reinventada. Mas seria "ingênuo pensar que as inovações tecnológicas do século 21 propiciarão maior inclusão social e cidades mais democráticas, por si sós". A s cidades - que se tornaram "a maior pauta do planeta" - "terão de se reinventar", quando nada porque já respondem por dois terços do consumo de energia e 75% da geração de resíduos e contribuem decisivamente para o processo de esgotamento de recursos hídricos, com um consumo médio insustentável de 200 litros diários por habitante. "Cidades sustentáveis são cidades compactas", dizem os autores, que estudam vários casos, entre eles os de Montreal, Barcelona e São Francisco. E propõem vários caminhos, com intervenções que conduzam à regulação das cidades e à reestruturação produtiva, capazes de levar à sustentabilidade urbana.
Mas cabe repetir o que têm dito vários pensadores: é preciso mudar o olhar; nossas políticas urbanas se tornaram muito "grandes", distantes dos problemas do cotidiano do cidadão comum; ao mesmo tempo, muito circunscritas, são incapazes de formular macropolíticas coordenadas que enfrentem os megaproblemas. No caso paulistano, por exemplo, é preciso ter uma política ampla e coordenadora das questões que abranjam toda a região metropolitana; mas é preciso descentralizar a execução e colocá-la sob a guarda das comunidades regionais/locais. Não custa lembrar que há alguns anos um grupo de professores da Universidade de São Paulo preparou um plano para a capital paulista que previa a formação de conselhos regionais e subprefeituras, com a participação e decisão de conselhos da comunidade até sobre o orçamento; mas as discussões na Câmara Municipal levaram a esquecer o macroplano e ficar só com a criação de novos cargos.
Por aí não se vai a lugar nenhum - a não ser a problemas mais dramáticos.
* JORNALISTA
E-MAIL: 
WLRNOVAES@UOL.COM.BR

* foto congestionamento junho 2012 em São Paulo : http://www.opiniaosustentavel.com.br/2012/06/o-caos-e-uma-opcao.html
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Maior utilização de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses

Chuva faz produtor de hortaliças usar mais agrotóxicos

Produtores e especialistas observam maior utilização de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses

por Agência Estado - 27/07/2012
 Shutterstock
Os efeitos do atípico período chuvoso em São Paulo desde maio - o mais intenso em quase três décadas - já impactam os produtos agrícolas consumidos pelos paulistanos. Segundo técnicos e produtores, verduras e legumes têm sido cultivados com mais agrotóxicos para compensar o inesperado excesso de umidade. O excedente da chuva também dificulta o plantio de orgânicos, que já são encontrados em menor quantidade nas feiras.

Os números só serão conhecidos em agosto, quando oMinistério da Agricultura consolidar os dados que o Plano Nacional de Controle de Resíduos Contaminantes (PNCRC)coletou até o dia 30 de junho. Mesmo assim, produtores e especialistas afirmam que tem havido um maior uso de pesticidas no cinturão verde paulista nos últimos três meses, especialmente em folhosas (alface, rúcula e brócolis) e solanáceas (pimentão e tomate).

"O outono e o inverno estão prejudicando muito a agricultura paulista neste ano. O último grande período úmido assim havia sido em 1983", afirma o pesquisador Marcelo Bento Paes de Camargo, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). "Isso se reflete na necessidade do combate químico em produtos como laranjacana-de-açúcar e as hortaliças, que são mais frágeis."

produtor e agrônomo Gérson Saiki, que planta em Cotia e vende na Ceagesp, nega ter compensado o decréscimo de produtividade com agrotóxicos, mas relata que em sua região produtores têm usado do artifício. "O pessoal está descapitalizado por causa do verão pouco lucrativo que tivemos e tenta salvar a produção a qualquer custo", afirma.

O inverno com temperaturas brandas em São Paulo tampouco tem facilitado a vida dos agricultores. O clima frio, segundo especialistas, auxilia no controle das doenças fúngicas e bacterianas.

"É o motivo pelo qual o inverno seco é a estação mais propícia para o cultivo de hortaliças. Mas a alta umidade, com temperaturas amenas, aumenta o risco de doenças e, assim, o uso de agrotóxicos pode duplicar e até triplicar", explica o agrônomo Carlos Lopes, da Embrapa Hortaliças
Orgânicos 
Entre os produtores orgânicos, que evitam o uso de pesticidas sintéticos, o excesso de chuva tem inibido o plantio. Com isso, itens como alfacerúcula e brócolis têm tido menos oferta, e com qualidade inferior.

Sidnei Gomes, produtor de Mogi das Cruzes, afirma que perdeu até 30% da produção de hortaliças. "Com tanta água, nem adianta plantar porque não cresce", diz o agricultor, que vende vegetais nas feiras livres do Pacaembu, Água Branca e Ceagesp.

João Evangelista, que também comercializa seus produtos orgânicos no Parque da Água Branca, afirma que há dois meses não planta rúcula. "Em épocas boas, conseguia oferecer 800 caixas de verduras e legumes por mês. Atualmente, mal tenho conseguido produzir 600", afirma.

Os agricultores que menos sentem o impacto da chuva são os que plantam em solo coberto - e cobram mais caro por isso. O comerciante João Roberto Françolim, de 47 anos, que costuma fazer compras na feira da Ceagesp, reclama dos preços. "O tomate quase dobrou de valor. Além disso, a alface está muito menor. No saco plástico que ficava cheio com uma peça, hoje cabem duas com folgas."


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Ceagesp ignora quantidade de pesticidas


Ceagesp ignora quantidade de pesticidas

27 de julho de 2012 | 3h 02
O Estado de S.Paulo
Maior distribuidor de produtos agrícolas do País, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) desde outubro deixou de ter controle próprio sobre a quantidade de pesticidas presentes nas verduras e legumes que passam pelo local. O centro de armazenagem alega que não tem recursos para fazer a análise de resíduos de agrotóxicos após o fim do subsídio do Ministério da Agricultura, há nove meses.
Com a opção de fazer o controle diretamente entre os produtores, em diversas partes do País, o governo limitou o pagamento de análises laboratoriais de 410 amostras anuais para 230. "Consideramos que não seria uma avaliação representativa e optamos por não fazer", afirma Ossir Gorenstein, responsável pelo Centro de Qualidade Hortigranjeira da Ceagesp. "Hoje, é inviável o pagamento com recursos próprios, pois há outras prioridades. Cada amostra custa entre R$ 500 e R$ 600."
Segundo Gorenstein, o risco maior está na saúde dos agricultores, que lidam diretamente com os produtos químicos em alta dosagem. "Temos programas de incentivo à produção sem agrotóxicos, mas é importante haver nosso próprio banco de dados. Hoje, não sabemos o estado do uso de pesticidas dos produtos que chegam à Ceagesp."
Fábio Florêncio, coordenador-geral de qualidade vegetal do ministério, afirma que a decisão de expandir a análise ocorreu por causa da falta de rastreabilidade dos produtos que entravam na Ceagesp. "Mesmo com as notas fiscais, tínhamos problemas para identificar a origem dos produtos. Optamos por fazer o trabalho mais focado no produtor e, por isso, a Ceagesp teria um número de amostras mais reduzido", explica. / B.D.

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20 de julho de 2012

ISA - Oficinas de prevenção às queimadas contribuem para a redução de incêndios no Xingu


[19/07/2012 15:57]

Em menos de um mês, a equipe do ISA (Instituto Socioambiental) percorreu aldeias de cinco etnias do Parque do Xingu para avaliar o trabalho realizado em 2011 e traçar estratégias para evitar o crescimento de focos de queimadas na Terra Indígena em 2012. Só no ano passado, a redução foi de 50% em relação a 2010

Entre os dias 16/6 e 10/7, a equipe do ISA realizou em aldeias xinguanas oficinas de planejamento das atividades de prevenção de queimadas e acordos comunitários. A ideia era avaliar o trabalho realizado no ano anterior, pensar as atividades deste ano e estabelecer pactos, normas e condutas de boa vizinhança para prevenir que o fogo se espalhe nas aldeias do Xingu. As oficinas inauguraram o calendário 2012 de prevenção às queimadas, trabalho feito pelo ISA há cinco anos no Parque do Xingu (MT) e que se estende até o início das chuvas, com acompanhamento dos processos de queimada controlada e de supressão de pequenos incêndios.


Katia Ono, do ISA, durante as oficinas no Xingu


Mais de 170 indígenas de cinco etnias diferentes participaram da primeira etapa do trabalho, que percorreu aldeias onde as ações já estão consolidadas, como waura, yudja e kawaiwete e também e nas aldeias Ipatse, do povo Kuikuro, e Boa Esperança, do povo Trumai, que até então não participavam do projeto. Ainda serão visitados, os Ikpeng e os Kisêdjê, que também participam do projeto.
“Nas aldeias que trabalhamos há mais tempo eles estão aprimorando práticas como o aceiro, por exemplo. Tem melhorias na organização da comunidade, eles compartilham as experiências com os outros, avaliam mudanças nos horários de queimada de roça. Estão mais conscientes de que precisam agir preventivamente”, destaca Kátia Ono, técnica da equipe do Programa Xingu do ISA, responsável pelo trabalho de prevenção e queima controlada.
Já nas novas aldeias, o trabalho começa com a sensibilização da comunidade em relação à importância do uso controlado do fogo. Além disso, é feito um diagnóstico dos usos do fogo por aquele povo. “Do Alto para o Baixo Xingu os usos variam. A renovação do sapê para a construção de casas é um exemplo. Esse é um hábito do Alto Xingu. No início das chuvas, os índios do Alto queimam o sapezal para deixá-lo mais uniforme e livre de pragas como o cupim, para construir suas casas. Isso não acontece com os povos do Baixo, que vivem numa região de floresta. Como eles têm uma vivência mais florestal, têm um hábito de queima de roça mais próximo do período de chuvas, diferente do que ocorre no Alto”, exemplifica Kátia.


Fogo, um tema em alta
Assunto recorrente nas aldeias, o fogo ganhou ainda mais atenção dos indígenas em 2010, por conta do elevado número de focos de incêndio no PIX: foram 869. Aldeias inteiras queimadas e roças perdidas mobilizaram diversas ações a partir daquele ano. A intensificação dos trabalhos de prevenção e a assimilação dos grupos da importância da conscientização de toda a comunidade fez com que em um ano, o número de focos se reduzisse em 50%. “Os grandes incêndios de 2010 foram causados por questões de fácil controle, como pequenas fogueiras em pescaria, ou fogueira para os índios se aquecerem na roça. Foi quando a gente viu que não bastava só pensar nas queimadas de roça, que outras causas ‘menores’ estavam provocando muitos focos de incêndio no Parque.”


Indígenas treinam debelar o fogo usando equipamento anti-incêndio


O ISA passou então a fazer também um acompanhamento das causas de incêndio para ajudar no trabalho. Entre as mais frequentes: uso do fogo na caçada, para coleta de mel, na pescaria, para limpeza da aldeia ou mesmo para se aquecer. Com as causas identificadas, definir o foco do trabalho de prevenção ficou mais fácil. “Queimada de roça é importante e a gente sabe que sempre deve ter um olhar para isso, mas vimos que tem outros usos que também merecem atenção. Uma fogueira de beira de rio também pode ser uma potencial causadora de incêndio, mas isso só se combate com campanhas, sensibilização dos grupos”, explica Kátia.
Resultado da assimilação do trabalho desenvolvido no manejo do fogo, desde 2011 os povos Kawaiwete e Yudja assumiram a organização das ações de prevenção e combate ao fogo em suas regiões. Viraram verdadeiros multiplicadores das ações propostas pelo ISA, disseminando o tema em várias aldeias de forma autônoma. “A gente faz campanha para mostrar para os parentes que não pode descuidar do fogo”, conta Ware Kawaiwete, jovem liderança de seu grupo que além do trabalho com o fogo, se divide entre a presidência do Centro de Organização Kawaiwete (COK) e a coordenação de Alternativas Econômicas da Associação Terra Indígena Xingu (Atix).
Este ano, os Kisedjê se juntam a este grupo e propuseram realizar – assim como os Kawaiwete – campanhas itinerantes por suas aldeias para falar sobre a importância da prevenção de incêndios, fogo descontrolado, aceiro.


Monitoramento de focos de calor
Quando chega o período da seca, o ISA gera diariamente um boletim chamado De Olho no Xingu, baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora os focos de calor no PIX. O informativo permite avaliar os locais onde estão os maiores pontos de incêndio e trabalhá-los com os índios e com as instituições responsáveis pelas brigadas oficiais. “Com esse material em mãos eles podem averiguar se o foco é real ou não, se precisam de ajuda para apagá-lo e dá agilidade à ação das brigadas externas”, explica Kátia.
O boletim, conta a técnica do ISA, foi uma das primeiras ações do trabalho de manejo do fogo e foi aprimorado ao longo dos anos até chegar ao modelo utilizado hoje. No início, era uma ferramenta de uso interno, mas virou um importante instrumento de alerta, sensibilização e conscientização das comunidades, pois permite que visualizem a grandeza da presença dos focos de calor em seu território.
“A gente usa bastante para localizar onde estão os incêndios. No ano passado, a Funai passou até a se envolver mais nesse trabalho com o ISA. E o que a gente vê é que esse monitoramento tem facilitado o trabalho, pois traz um levantamento de onde tá tendo mais foco e com isso a gente fazer um trabalho melhor”, afirma Alupá Kaiabi, da coordenação regional da Funai no Xingu, em Canarana (MT).
A parceria com o órgão indigenista oficial começou efetivamente este ano com auxílio nas capacitações de instrutores e conscientização sobre queima controlada. Além da Funai, o ISA conta, desde 2009, com apoio da empresa Guarany, fabricante de equipamentos de combate a incêndios, com suporte para uso e fornecimento de equipamentos anti-incêndio.

Veja abaixo notícias relacionadas:

ISA firma parceria para combater incêndios no Parque Indígena do Xingu
Povos indígenas do Xingu se mobilizam no combate aos incêndios florestais

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3623

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Mais chuva, mais seca, muito mais preocupação – Washington Novaes


Washington Novaes

  20 de julho de 2012 | 3h 10
Enquanto estas linhas são escritas, chove há quatro dias em Goiânia – quando há 30 anos as chuvas no período de estiagem (de abril a setembro) eram tão raras que até nome tinham as duas habituais: “chuva das flores” e “chuva do caju”. Algo parecido com o que se verificava também no Cerrado paulista antes que, a partir da década de 1950, a remoção da vegetação nativa e a entrada da cana-de-açúcar e da soja, principalmente, mudassem tudo e tudo fosse possível em qualquer época – chuva e estiagem, frio e calor até no mesmo dia. E hoje tudo acontece ainda no momento em que a calamidade é a rotina em mais de mil municípios nordestinos, com a pior seca em décadas. Mas nem a cidade de São Paulo escapa aos dramas, tendo chovido em oito dias do início de junho mais de 100 milímetros, o que não acontecia em década e meia (Agência Estado, 9/6).
Seminário da Unesp e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Pernambuco avalia (remaatlantico, 12/7) que o Nordeste é a região que mais sofre e sofrerá com as “mudanças do clima”, seguido do Centro-Oeste. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Manaus e Curitiba serão as cidades maiores com mais problemas. O Nordeste, já com mais 29 mil quilômetros quadrados sujeitos a problemas mais graves, apresenta manchas de “hiperaridez”, que podem transformar-se em desertos. Outro estudo, da Universidade Federal de Alagoas, adverte que a média de chuvas na região – 800 milímetros anuais – é muito inferior à evapotranspiração, de 3 mil milímetros anuais.
O Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas, com aval da Coppe-RJ e de 128 cientistas, prevê um Brasil mais vulnerável às consequências do aumento da temperatura (O Globo, 11/6), com secas mais severas na Amazônia e na Caatinga; temperaturas mais altas nas grandes cidades do Sudeste (devidas às “ilhas de calor”); a Caatinga podendo chegar a 50% menos de chuvas em 2050; mas também com alterações sérias no Pantanal, no Cerrado e em parte da Mata Atlântica; até o fim do século, as chuvas na Amazônia poderão reduzir-se em 45%, com aumento de 5 a 6 graus Celsius na temperatura; a Caatinga poderá perder 50% até 2100.
Nossos custos (Estado, 14/6) chegam a US$ 6,9 bilhões em 20 anos, com 20,6 milhões de pessoas afetadas e mais de 3 mil mortas – somos o 13.º país em enchentes e 18.º em prejuízos, segundo a ONU. Mas o Serviço Geológico brasileiro (Agência Brasil, 3/7) afirma que temos 680 mil pessoas em áreas de alto risco, só nos 140 de 821 municípios já mapeados – a maioria no Nordeste. Na América Latina, segundo o Banco Mundial e outras instituições, os prejuízos com esses fenômenos chegam a US$ 100 bilhões anuais (Estado, 5/6). E seria necessário investir US$ 110 bilhões anuais, de modo a reduzir as emissões para duas toneladas anuais de dióxido de carbono (CO2) por pessoa (no Brasil, segundo o cientista britânico Nicholas Stern, elas estão acima de dez toneladas anuais per capita).
Ainda nesta semana, o Comitê de Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) pediu a todos os países estratégias de enfrentamento das mudanças e dos riscos de perda de colheitas, que afetarão principalmente os países mais pobres. Os custos dos desastres no mundo a partir de 1992 chegaram a US$ 2 trilhões. E nos “eventos extremos” morreu 1,3 milhão de pessoas, entre os 4,4 bilhões de afetadas por enchentes (2,4 bilhões) e tempestades (720 milhões), principalmente (Estado, 14/6). China e Índia lideram o indesejável ranking. 2010 e 2011 já foram anos dramáticos.
A elevação do nível dos oceanos agrava as preocupações dos cientistas. Estudo da Natural Climate Change (6/7) afirma que mesmo com cortes profundos nas emissões de gases poluentes e baixa nas temperaturas médias até 2050 o aumento do nível dos oceanos será “inevitável” até o fim do século. No Ártico, a concentração de CO2 já chegou a 400 partes por milhão. Até a extração e o uso de águas subterrâneas agrava os problemas no mar.
O ano de 2012 está sendo o mais quente na História dos Estados Unidos desde 1895 (Reuters, 8/6), 2,9 graus acima da média do século 20. China, Bangladesh, Japão estão de novo às voltas com fenômenos extremos, milhões de pessoas atingidas. A Rússia investiga se administradores relapsos contribuíram para as piores inundações e o maior número de mortes em décadas, com o volume de chuvas em uma hora superando o que era habitual em dois meses, em algumas regiões.
É nesse quadro que se reuniram esta semana em Berlim os representantes de 35 países, na tentativa de um acordo que possa levar a compromissos de redução de poluentes na Convenção do Clima, em novembro, no Qatar. Aí, a primeira-ministra Angela Merkel, da Alemanha, disse que enfrentamos “grande perigo” e que as intenções dos países poluidores até aqui não bastam para enfrentar a questão. Mesmo contendo o aumento da temperatura planetária para até 2 graus em meados do século, o problema não estará resolvido Mas persiste o velho confronto: os países do Brics, o Brasil incluído, dizem que a obrigação é dos países industrializados, que emitem desde o início da revolução industrial e até há pouco emitiam mais que o resto do mundo; os países mais desenvolvidos retrucam que sem as nações em desenvolvimento, que hoje poluem mais, nada adiantará. E pedem que haja novo período de vigência do Protocolo de Kyoto. Com o mundo ainda subsidiando com US$ 1 trilhão anuais o uso de petróleo e de outros combustíveis fósseis. A ONU é contra e quer criar uma taxa sobre esse consumo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) apoia e tem até proposta de punição para os poluidores.
Reunidos na State of the Planet Declaration, 2.800 cientistas dizem que “o sistema Terra está em perigo”. O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas pede planos setoriais de mitigação de emissões aos setores mais poluentes. Mas ainda emitimos quase 2% do total mundial de poluentes. E os acordos estão difíceis internamente.
E chove, chove, onde deveria ser estiagem. E piora a seca na Caatinga.
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* Washington Novaes é jornalista – e-mail : WLRNOVAES@UOL.COM.BR

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